RS: milhares comparecem a missa em homenagem a mortos

A Basílica da Medianeira, em Santa Maria, ficou lotada durante a celebração Foto: Daniel Favero / Terra

DANIEL FAVERO
Direto de Santa Maria
Milhares de pessoas se reuniram na igreja da Basílica da Medianeira, neste sábado, em Santa Maria (RS), na missa que lembrou os mais de 230 mortos no incêndio da Boate Kiss, na madrugada do último domingo. A solenidade foi conduzida pelo bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Jaime Spangler.
A maioria das pessoas compareceu ao evento vestida de branco, muitos com camisetas com fotos de vítimas da tragédia. A celebração começou por volta das 21h30, com os fiéis cantando hinos e ouvindo palavras de conforto dos religiosos. Antes do início da missa, uma senhora de 60 anos passou mal e foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A celebração deveria ocorrer na catedral da cidade, sendo seguida por uma vigília em frente a boate, que ocorreria por volta das 2h do domingo. No entanto, a instabilidade climática e os temores pela segurança, já que mais de 40 mil pessoas eram previstas para o evento, fizeram com que a Igreja Católica transferisse o evento para a Basílica da Medianeira. Mesmo com o cancelamento, é esperado que a vigília em frente a casa noturna seja realizada, no mesmo horário no qual começou o incêndio no último domingo. 
Entre as 4 mil pessoas que participaram da missa, estavam os familiares de Mirela Rosa da Cruz e José Manuel Rosa da Cruz. Os irmãos morreram no dia do incêndio. Segundo Vera Alves, amiga da família, um deles teria conseguido sair, mas voltou para encontrar o outro. Os dois eram os únicos filhos de Helena. "Ela tem uma cadelinha, chamada Mari, de mais ou menos 1 ano de idade e toda noite ela fica na porta esperando Mirela voltar", diz Vera.
A amiga da família afirma que Mirela era rainha do Carnaval de um clube local e já tinha sido rainha infantil da festa no Rio Grande do Sul. "A última imagem que eu tenho dela é rindo e conversando comigo sobre a roupa das outras candidatas a miss do Carnaval", diz Vera.
INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

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